Segunda-feira, 2 de Novembro de 2009

RAFEIRA

 

 

 

        Num daqueles momentos, pude morrer mas a vida teimosa resgatou-me... não morri, não o temi ferozmente apenas estremeci... mas não quis parar nesse momento, porque acredito que mesmo o verdadeiro momento de morrer não é de paragem é de transição, de continuidade... e por isso não parei de caminhar para casa, não parei de olhar para o céu, não parei de ouvir os sermões... não parei, mas sinto que congelei, que esse momento me ficou agarrado à pele, talvez por estar tão vivo na memória dos outros, talvez por não mo deixarem esquecer... ou talvez tenha tido muito medo e só agora o sinta... ou talvez não passa de remorsos, por de facto não dar tanta importância à minha potencial perda... talvez...

 

        Num daqueles dias, agarrei-me a um novo amor, um pequeno gato estilo tigrado mas não a 100%, meio doce meio selvagem, o meu Sebastião, agarrei-me aos seus olhos azuis acinzentados, à sua procura de colo e refúgio, agarrei-me a mais um companheiro de 4 patas que me espera, que me procura, que não me trai, que não me abandona...talvez eu fosse um cão ou gato vadio que tu acolheste no teu colo, talvez tenhas sido tu que me ensinaste a usar a caixinha de areia, que me tiraste pulgas, que me deste de comer... talvez eu de facto não passasse de um rafeiro abandonado que tu acolheste, e por isso tu já fugiste para essa tua casa branca, de cal, com a tua fotografia, o teu nome, a tua idade... a tua vida convencional em início e fim... talvez eu seja o rafeiro que mesmo assim ainda te venera como dono de estimação, talvez seja isso que me leva a esse cemitério, a essa campa... afinal tu estás aí... eu sei que já não me ralhas, mas sei que estás aí... que me vês a farejar as campas para te achar... sim eu sou o teu rafeiro, já não tenho quem me cate as pulgas, quem me acarinhe o pêlo, só patadas... só o típico "sai daqui rafeiro"... mas não faz mal, meu pequeno eterno dono de estimação, eu lambo as feridas... eu volto à tua casa para dormir de novo aos teus pés... que mesmo morto, me aconchegas o peito quando aquela dor chega de mansinho...

 

 

... bem, tenho de ver se consigo não mijar nos sapatos de alguém... quando é que me trazes mais um osso para brincar, raio de dono tão trapalhão

 


publicado por uriel_arcanjo às 19:05
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