Sexta-feira, 28 de Novembro de 2008

A tua morte

Porque é que esqueci a tua voz?...

eu sei o tempo passa,sempre,mesmo quando não parece e mesmo quando teima em ser muito lento...e sei a memória é falível e vulnerável...mas porque é que esqueci a tua voz se me lembro das frases,das conversas,das histórias...

revejo-nos...

prefiro desligar a televisão e a música,ir para o quarto e rever-nos...eu vejo-te,tu falas mas eu não oiço...

e choro porque ainda te vejo,cabelo preto encaracolado,olhos pretos,óculos de sol mesmo à chuva,a tua barba de 3dias e o teu sorriso,sempre o teu sorriso (sabes que em cada sorriso tento achar um pouco de tudo o que amei em ti...e já me magoei tanto por isso...porque é perder-te novamente...perder-te em cada sorriso que não é o teu,nem nunca será...é perder-te dia-a-dia...todos os dias ir-te perdendo).

 

Só hoje pedi que alguém fosse comigo ao cemitério,

hoje com 3rosas,

estúpidas rosas na mão para ti

(branca,vermelha,preta),branca de paz que quero para ti e para mim,porque perder-te fez-me perder um pouco de mim,da minha paz...apetece-me pôr tudo para trás e ser bruta e fria e seguir em frente sem sequer olhar para trás,mas não consigo,entendes?;

vermelha de amor,só de amor,prefiro não destruir a palavra...amor...e uma preta daquelas que odiavas pela minha tara pelo preto e porque não era natural...mas preta de dor,como toda a gente diz a cor de luto,mas tu sabes o preto é para quando estou feliz...e como vês desde a tua morte metafísica a física nunca me vesti de preto quando pensei em ti,quando te fiz o luto...nunca o preto pela tua morte,nunca o preto,nem hoje outra vez (segunda vez) aqui na tua campa...

e não vim sozinha porque estou farta de aguentar esta dor sozinha...e na esperança de que dizer a alguém "vem comigo à campa do alexandre" me faça admitir,interiorizar...aceitar que morreste...porque sozinha não estou a conseguir a ultrapassar isto,estou maluca percebes?...

acho que já não devia doer-me tanto mas dói...e não deixo ninguém saber,ver e muito menos ajudar-me com esta ferida...sabes que eu nunca fui fácil,sabes que por mais que quisesse um abraço nunca o tinha...aprendi a acreditar,a reconhecer que o amor existe...aprendi a abraçar...contigo...e perdi-te...e desaprendi tudo...

e estou de novo sozinha...e não consigo...

Já não sei se dói mais porque te perdi também em vida...saber que não te via,não te ouvia,não te falava e já não te devia amar..mas sabia que existias longe,muito longe da moniquita (lembras-te?), eu não chorei,queria mostrar que era forte apesar de te amar e de contigo me levares (tudo de bom que contigo descobri ter em mim para dar).

Mas espero que me oiças...não te disse adeus mas fui espreitar-te quando saías da minha vida,para sempre...e eu não sabia...e fui-me embora a olhar o céu a sorrir e a chorar...mas a sorrir...

Mas depois ainda te perdi da vida,sem saber bem quando,como e porquê...foi perder-te em definitivo mas não por completo...compreendes?é que hoje ainda te consigo ver mas já não me lembro da tua voz...será que a tua imagem também se apagará?será que ainda te vou perder mais e mais...

E eu não aguento,não aguento,sim estou fraca,e não aguento...

por isso pedi que hoje viessem comigo...

pedi que viessem,que soubessem da tua morte...para não ser a única a perder-te...e curiosamente perguntam-me porque não tinha dito nada e há quanto tempo sabia...e que agora entendiam em parte a minha tristeza...mas não compreendem...só a ti mostrei todos os meus segredos...e com o tempo tenho perdido tudo o que mais amo,mas fui persistindo por ti,pela memória da lição que me ensinaste......mas quero  agora não consigo...não aguento...fazes-me falta como no livro...é por isso que te escrevo...e que na campa falo para o teu mármore...preciso que no mínimo me oiças...e que não me abandones...

 

Eu só quero arrumar-te em mim,

mas não te quero esquecer como esqueci a tua voz...

esqueci a tua voz...

abraça-me mesmo que num sonho meu...

por-favor mostra-me que acreditas em mim (que apesar de morto és o único que acredita em mim...e que gostas de mim um pouquinho que seja)...

por-favor não me abandones de todo...

 

m.a.f.a (27 Novembro2008)

 


publicado por uriel_arcanjo às 15:50
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