Sábado, 1 de Maio de 2010

...

não sei se anjos existem
mas quero acreditar em ti...
quero continuar a ter-te em mim,
no bom e no mau...
fazes-me falta em carne, mas quero saber-te em espirito comigo

publicado por uriel_arcanjo às 16:49
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...

Tentei não chorar

suportar a dor até não mais…

mas a tua morte não foi uma perda, não foi uma dor…

a tua morte é todos os dias… todos todos os dias

uma derrocada em mim

um pedaço de vida que apodrece, que me derruba

 

... a tua morte, em parte, senão na totalidade... é a minha morte

 

 


publicado por uriel_arcanjo às 16:47
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...

     Nasci de uma noite, que não acredito ter sido de amor… de pelo menos uma das partes (quase de certeza não passou de apenas uma noite de sexo (e talvez sem qualquer valor!). Nasci de sémen quente que ao crescer o ventre arrefeceu, fui um erro que do corpo de uma mãe despontou… nasci apesar de todos os pontapés nesse ventre, grávido do erro da vida.

 

     Cresci, erro, em linguagem, em corpo… simples erro de uma noite que se perpetua pela vida e talvez pela morte.

 

     Em pequena mulher acreditava em todos os que me cercavam, acreditava que até doentio aquilo que via podia ser amor… mas cedo vi que quem muito facilmente nos diz “amo-te” é também o mais rápido a abandonar-nos, e senti que o amor não é doentio, não o pode ser senão não é amor (aquele talvez mítico de “amar sem olhar a quem”, sem o dar à espera do receber) … e os braços foram crescendo, as pernas acompanhando… e cada vez mais de quem mais acreditava começava a desacreditar e a fixar-me erro de mim para mim, erro para todo o mundo…

 

     Mas há sempre um anjo, que se cruza connosco na vida, tem de haver!

 

 

     Foi um anjo, de carne, com idade, com nome, com morada… um homem anjo… que me fez rir tanto só pelo facto de mal nos conhecermos me ter dito “tu quase nunca ris, não pode ser!”… esse homem anjo fez-me rir quando pedi e quando não o pedi, fez-me reconhecer o meu nome quando alguém o chamava, fez-me ver que ninguém é perfeito mas que não nos podemos excluir do mundo pelos nossos erros, porque (provavelmente) todos os homens não passam de erros… Nunca me disse que era melhor do que alguém, mas sempre me disse que se desistisse seria fraca, e que eu não era fraca… com ele talvez tenha sentido o primeiro e talvez o último amor… ele foi o único que reconheceu que apesar de eu não ser fácil de entender, eu não era impossível de viver… e tal como me ensinou, ele não desistiu…e eu é que desisti de estar sozinha, porque sentia (eu sabia) que com ele eu estaria muito melhor do que sozinha… discutíamos seriamente e por futilidades, mas sabíamos andar às “turras” para depois chorarmos de tanto rirmos de nós mesmos… namorámos, na convenção social, até ao ponto em que não aguentei dar dois ou três passos de seguida em frente sem ver bem o que pisava… eu era/ eu sou muito medrosa… ele sabia, ele compreendia… mas de facto os nossos rumos cruzavam-se e descruzavam-se e preferimos não nos magoarmos, não aniquilarmos a nossa amizade… e fizemos a promessa “parola” de que se daqui a dez anos não tivermos ninguém casamos porque sabemos que combinamos mas ainda não estamos em total sintonia, talvez cinco anos de diferença, de histórias pessoais diferentes…talvez isso marque de facto… porque afinal foi por ele que perdi o medo de tentar amar, mas amar mesmo sem a doença do ter, do ciúme desmedido, da insegurança… aquele amor frágil como todos os amores que nascem em terreno seco…

      A vida tem destas coisas, às vezes não nos dá tempo para cumprir-mos as nossas promessas… fomos mantendo contacto porque acima de tudo éramos amigos, se bem que posso falar da minha parte… eu tinha uma “admiração” que não consigo definir concretamente ou prefiro não definir… porque não sei se é saudável gostar cinco anos de alguém que deixámos… esperarmos que a promessa se cumprisse, se bem que de certa forma ambos fazíamos por isso… ambos sabíamos que estávamos sozinhos e brincávamos… ou talvez fossemos os dois cobardes para admitir que esperávamos que o outro roubasse um beijo e que aquele tempo de amizade e só amizade não passasse de um interregno… mas a vida tem destas coisas e o meu amor morreu, com cancro de pulmão…este Março faria trinta anos… estes cinco anos a mais como o meu irmão…Estou a fazer luto disfarçado desde o ano passado e muitas vezes sinto-me mais anormal do que o costume, porque toda a gente sara as suas feridas tão rapidamente… e eu não… há dias em que me bate uma saudade profunda, daquele sorriso, de poder chorar nos braços dele… eu só chorava com ele… e agora choro, choro muito e com pessoas que me amparam tanto, que não são pessoas são os meus irmãos de alma… mas choro muito e muita gente se apercebe que choro… e eu não queria que o mundo soubesse que eu chorava (pelo menos tanto), sinto o meu sistema imunitário em baixo, física e psicologicamente… mas não sei como o posso recuperar.

      Perdi a pessoa que mais me completou… eu sorri tanto naquele tempo… perdi o meu gato pintado, muita gente desistiu de mim, porque não é fácil lidar com a dor… muito menos quando é permanente e de alguém com quem criámos laços, mas não os laços que essa pessoa (desesperada -eu -) julga ter criado… porque as minhas definições de relacionamentos de empatia/ amizade estão ultrapassadas ou simplesmente só existem na minha cabeça.

 

 

      E todos os dias se perde. Esta dor agonizou quando em Maio de 2009 se deu a sentença de um mês de vida ao meu avô materno, mas ele vai-se aguentando… com as suas entranhas em ferida viva, ele vai-se arrastando na vida. Porque aquele homem pode ter o rosto, ter assumido a identidade do meu avô mas aquele não é o meu avô…não pode ser… aquilo já não é vida, não tem a mínima dignidade para ser chamada ainda de vida… Tento-me agarrar a algo, mas não é nada fácil… a minha estrutura é emaranhada, não tenho um conceito ou vivência perfeita de família, amigos é complicado porque eu sou a primeira a afirmar que odeio gostar de pessoas (porque sei que o ser humano tem algo natural em si para magoar os outros, ou então sou eu que atraio… já tudo me ocorre nesta mente insana… mesmo insana), um emprego em que quanto mais me esforço mais oiço que sou uma merda e que só faço merda… paixões já desisti, esta cena de se mandar “umas quecas” só porque sim não me entra na cabeça, não me trespassa o peito e muito menos me desnuda o corpo… ou então sou eu uma romântica platónica, uma pudica desmedida, e uma complexada sem fim (sim, acredito reunir parte destas características… mas acho que a azáfama dos dias de hoje, dos sentidos… porque sim acho que hoje se aprimora os sentidos de ver, cheirar, tocar, “comer” e não os sentimentos…) e pronto a única paixão correspondida foi mesmo pelo meu “morto de estimação”… portanto acho que sim… não mentira, amo o meu cão e o meu gato, não me dizem “sabes, já alguém te disse que és muito sexy” à espera que lhes salte em cima, não me abandonam nem nos dias muito muito muito maus, não têm medo das minhas lágrimas… e fazem-me rir, quando choro ao pé deles eles tomam a iniciativa de me fazer rir (o meu cão pesa aproximadamente 80kg quase o dobro do meu peso, mas sempre que choro ao seu lado, ele olha-me tão fundo nos olhos que me parte o coração estar-lhe a mostrar a minha ferida, mas do nada tenta sentar-se ao meu colo e eu só posso rir e ele nota… então mete o seu focinho mesmo em frente da minha cara e dá à cauda freneticamente; já o meu gato é muito arisco, raramente quer muita companhia, e eu quando choro prefiro estar sozinha, mas ele vem sempre no momento exacto…e lambe-me as lágrimas e deixa-se estar sossegado sobre o meu peito…) … portanto eu não desisti das paixões… simplesmente redirecciono-as…por quem gosta de mim, assuma a forma que assumir… porque todos nós somos apenas seres, meros seres…

… mas sinto-me cansada de tudo e de todos a quem me dedico… mas como o meu homem anjo me ensinou, não vou desistir…

 

 


publicado por uriel_arcanjo às 16:25
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